segunda-feira, 26 de abril de 2010

As datas que (ainda) poucos celebram

por Marcelo Moraes

Henry Ford e o Ford preto Henry Ford e o Ford preto. Só tem preto?
 

Ele pode ser caro, barato ou de graça... Está sempre por perto ou não... Ele, ora te ajuda, ora te confunde, ora te anima ora te entristece (dependendo do ponto de vista)... Ele pode pesar ou simplesmente ser leve como uma pena... Ele te faz imaginar, fantasiar ou realizar... Ele te dá um empurrão para frente... É um amigão que você nem sempre o reconhece... Ou sim... Ele te guia, basta que estejas ali, junto com ele, por muito ou pouco tempo desfrutando das suas páginas: Ele, o LIVRO!

Esperei um ano para saber o que mudaria de lá para cá. Ano passado, durante a participação da blogagem coletiva Quem foi seu Monteiro Lobato?, fiz uma varredura pela net para coletar alguns dados que utilizaria para a minha postagem. Até aí, tudo bem, descobri ainda mais sobre a força e importância deste tema. A blogagem foi um sucesso e a postagem foi ao ar no dia em que se comemorava o Dia do Nacional do Livro Infantil. Na mesma semana surge no blog Julio Verne Pt (já citei sobre Júlio Verne neste post aqui) uma outra postagem que me chamou a atenção. Senti-me um pouco ignorante sobre a causa, afinal, como pode um país que está sempre querendo fazer algo para trazer a leitura para as pessoas, principalmente aos jovens, às crianças, se não utiliza o próprio Dia Mundial do Livro para disseminar esta ideia?

E quantas pessoas que lêem e estão sempre antenadas ainda desconhecem esta data? Não precisa ser nenhum estatístico para saber que seria uma porcentagem bastante alta. E ainda vejo, também, que quando se fala de movimentos a favor da leitura, percebo que o problema não está (somente) em culpar as pessoas por não lerem, por não serem incentivadas para tal (a priori), mas pelo foco que geralmente se dá a estas campanhas: trazem a imagem de que o bom leitor, ou o indivíduo vencedor é aquele que fica boa parte do seu tempo lendo, e ainda por cima, obras consagradas, aquelas ditas imortais! A literatura, esta que trata de obras consagradas que vemos nos vestibulares e nas aulas de literatura propriamente dita, algumas famosas por virarem filmes, outras, minisséries ou peças teatrais passa a ser, também, mais um estilo de leitura. Aprendemos o que é, a sua importância e seus exemplos, coisa que se faz com qualquer outra disciplina escolar também. OK! Assim, sob este ângulo, este tipo de leitura passa a ser visto como uma opção, um gosto pessoal adquirido, quer seja pela linguagem, quer seja pela influência de alguém, mas é da pessoa querer seguir aquele estilo, aquela obra. E aí, as campanhas, por deixarem este significado de lado (o gosto de cada pessoa), não vingam, perdem força, tornam-se desinteressantes. Seria só esta via de leitura para termos bons leitores e bons escritores?

Senta, que lá vem história…

Eu não adquiri o gosto pela leitura por ficar lendo intermináveis listas destas obras (algumas li sim pela imposição da escola, mas não foram muitas), e sim pelo meu gosto adquirido àquilo que gosto de ver, ouvir, falar e ler. Não tenho aquelas obras na ponta da língua, mas sei de sua importância para a nossa linguagem (não é esta a função de um conhecimento adquirido também?), porém, se temos que ter novos e bons leitores, temos que ter, também, novos e bons escritores de todos os gêneros. Pessoas que gostem e possam contar e criar sobre todos os outros assuntos: Policial, Terror, Infantil, e por que não, Erótico. Cada um escreve bem aquilo que gosta, não é? Provavelmente, se um dia eu passasse a escrever sobre futebol por aqui, quem me conhece não se arriscaria em dizer que eu estaria, ou louco ou sendo pago por isso. Pois falar do que odeia  não se gosta, e de graça, sem condições! #ficadica

Nem os blogs escapam!

Todos nós que cultivamos um blog (ou dois, ou três, ou quatro...), trazemos uma bagagem que é nossa, e com o tempo passamos a agregar outras: Reconhecer que temos companheiros que têm a nos ensinar: Ensinar postando um texto, um comentário, fazendo novas associações entre o que falamos e o que ele conhece, e isso tudo vai se transformando à medida que trazemos ao nosso interior todo este conhecimento e desfrutamos dele. Quem tem isto em mente, sempre acaba fazendo um post relatando que quando começou a blogar fazia textos um pouco sem pé nem cabeça, ou queixando-se do que escrevia, ou algo semelhante. Isto é o resultado, em parte, desta interação que fazemos, deste conhecimento adquirido pela rede, pois com o tempo, notamos que estamos sendo lidos, acompanhados, e por também passarmos a acompanhar estes nossos visitantes/ leitores, visitando os seus respectivos espaços virtuais.

E a nossa forma de escrever, também muda?

Em certa parte, sim. Mas este sim não quer dizer “escrevendo totalmente diferente” e sim, escrevendo melhor, com mais nutrientes, com palavras e frases mais fortificadas. Tem momentos em que passo mais tempo escrevendo do que lendo, por outro lado, enquanto escrevo estou sendo meu leitor, tendo em mente que se o que escrevo gostaria de ler, se fosse só um leitor deste blog. E como leio! E de repente me vejo mexendo nos arquivos do blog. E de repente me vejo postando sobre eles! E alguma vez precisei falar dos escritores consagrados? Mostrar que tenho algum ou nenhum conhecimento sobre eles? Não, não... e não. Mas simplesmente porque o meu gosto já o tenho definido (ou quase), assim como alguns amigos que postam sobre estes escritores e suas obras em seus blogs. Falam daquilo que gostam e não o que todos “deveriam” ler (apenas). É uma sugestão, é uma recomendação e não uma imposição.

Se as campanhas nacionais do livro ficarem presas à ideia de Henry Ford, de que “O cliente pode ter o carro da cor que quiser, contanto que seja preto" , não deixaremos de acompanhar as queixas das pessoas sobre o nosso povo que não lê, ou que não é estimulado para tal. Ficaremos dando voltas na mesma pracinha ou vendo o cachorro tentando morder o próprio rabo. Precisamos de opções e não de uma só alternativa. Mostramos as nossas e cada um escolhe a sua. Simples assim? Ou não? Se na música é, porque na leitura não pode ser?

Cara, como você é exagerado!

Exagerado, eu? E por quê? Se eu estivesse exagerando, estaria com um post com a cobertura completa do Dia Mundial do Livro por todos os estados brasileiros, assim como ocorre com o Carnaval, o Natal e outras datas comerciais, onde vemos notícias espalhadas pela mídia a cada inspiração que damos. E teria data mais comercial que esta? Hoje temos que fazer uma busca pela rede pra saber se alguém comemorou por aqui ou como foi esta comemoração. Lamentável. Não temos o assunto nas rádios, nas tvs, nas revistas e, acreditem, nem nas Livrarias!

Afinal, que data é esta?

23 de abril, muito prazer! O Dia Mundial é do Livro, mas também dos Direitos Autorais! Olha aí o peso que tem esta data! Seria uma boa discussão se os meios de comunicação falassem sobre o tema, afinal, nossa infinita era tecnológica nos distancia cada vez mais da aquisição de obras originais, tendo tudo sendo convertido em “pontodoc, pontocom, pontoalgumacoisa...”, onde você salva num pendrive, celular e semelhantes... Onde os artistas e autores passam a compartilhar de seus materiais pela rede, em primeira mão, para a alegria dos fãs de plantão. Não, isso não é um exagero, é um fato! Twitter está virando o maior elo do momento!

twitter mauricio manieri

@MauricioManieri divulgando o link para baixar a sua nova música de trabalho.
 

twitter sobre romeu e julieta

E qual seria a solução para esta questão?

Solução não sei se seria a palavra certa, mas um caminho para tal eu me arriscaria em dizer. Já estou no meu segundo ano abordando sobre o tema e me vem a necessidade de falar sobre ele desde então.

Gostaria de deixar arquivado uma ideia para o próximo ano. Em 2011 seria de bom tamanho que ocorresse uma blogagem coletiva sobre O Dia Mundial do Livro e dos Direitos Autorais, pois acredito que seja uma ideia original e de um assunto bastante oportuno, pois há entre os amigos blogueiros, escritores, artistas, especialistas que têm muito a nos dizer também sobre o assunto, o que torna ainda mais importante a nossa interação na blogosfera. Para quem não leu meu post do ano passado, recomendo a leitura também, pois um ano depois a minha visão sobre o tema ainda pouco mudou.

E aí, vamos nos unir no próximo ano?

:D

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10 comentários:

  1. Olá Marcelo! Venho lhe agradecer por seu apoio e atenção. Estive viajando nos últimos dias e assim me vi impossibilitado de trabalhar no blog. Estou preparando uma nova postagem, mas antes quero deixar um grande abraço e meus sinceros votos de sucesso para você.

    Antes que tudo se cale; fale
    Antes que tudo adormeça; vibre
    Antes que tudo se apague; escreva
    Antes que tudo se transforme; sinta
    Antes que tudo acabe; viva

    Por Jefhcardoso

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  2. Olá Marcelo. Fui retribuir a visita e ganhei um presente rapaz. Adorei seu blog e já está favoritado. Quando eu aprender a criar a lista dos meus favoritos no blog, o seu estará lá certamente. Me interessei pela blogagem coletiva, será que acontece alguma atividade parecida aqui em Fortaleza? Abraço do Grande e parabéns.

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  3. Muito legal seu post e faz a gente refletir, que existe um "amadurecimento" quando investimos nos blogs, talvez esta seja a maneira moderna de cumprir a uma das realizações da vida que é escrever um livro... já que material tem de sobra...

    abçs

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  4. @jefhcardoso
    Muito obrigado! Abraço.

    @Fabiano Brilhante
    Obrigado, Fabiano, e seja bem-vindo!! Viu só, blogar causa dependência! rss Para saber mais sobre a plataforma wordpress, você pode visitar este site: http://www.wordpress-love.com/ Ou fuçar na "Administração" da tua página, que é onde costuma ter todas as ferramentas para adicionar nela. O pouco que sei sobre o wordpress é isso...rsss

    A blogagem coletiva é uma postagem sobre um tema e num dia definidos, onde os blogues que se inscrevem no blog organizador, apresentam o seu post para compartilhar sobre o tema em seu próprio blog. Então, de qualquer lugar se pode participar, basta ter um blog e se inscrever! Abraço.

    @Marcos
    Pois é, e quem disse que nós já não estamos escrevendo um? Os nossos arquivos que nos digam! rss Obrigado. Abraço.

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  5. Oi Marcelo...obrigado pela visita de hoje...

    Vc escreve bem demais cara...eu gosto muito de ler blogs de conteudo...confesso que não curto os de poesia..rs rs rs...paso reto. e aqueles que são diários do sofrimento pessoal..rs.

    Abração...

    Ps.: Concordo com vc que a novela Vale Tudo que tá no meu blog de hoje, tem tantas cenas boas que é dificil escolher. Procurei colocar duas que sintetizavam a trama...

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  6. @RAFAEL
    Que legal que está gostando, muito obrigado. Bem, eu gosto de poesias também, vez ou outra surge umas por aqui, basta clicar no marcador "Poemas", que verá...rss É, diário do sofrimento pessoal também não nos ajuda muito a relaxar, né? rss Abraço.

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  7. O dia mundial do livro é justissimo,Mas tem umas datas que podiam ser deletadas né?
    Abraço Marcelo

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  8. @Robson
    Concordo, desde que não sejam as que resultam em feriado, né? kkkk Abraço.

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  9. Olá Marcelo, toda vez que leio um post assim tenho que confessar que fico envergonhado, pois a cada ano diminuo a frequencia de ler =( .
    Recordo que "descobri" os livros e tornei-me leitor voraz na 6ª série e não foi com a ajuda de professoras ou de livros como "Fogo Morto" do Graciliano Ramos. Entre a 6ª série e o fim do colegial não tenho dúvida de que li centenas de livros dos mais variados gêneros, até “O Exorcista” eu li. Sinto falta dessa época, cada livro era um mundo diferente que experimentava e com certeza cada “mundo” acrescentava algo em mim, além de agregar o valor na minha formação e aumentar meu vocabulário.
    Gostei da ideia da blogagem coletiva sobre o Dia Mundial do Livro para 2011. Participaria de algo assim a qualquer momento com muito prazer, então faça um favor para mim e para a sociedade e não deixe essa ideia morrer =)
    Abraços,
    Júnior

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  10. Voltei aqui antes do Marcelo aprovar meu último comentário e tenho quase certeza que cometi uma tremenda gafe. Acredito ter afirmado que a obra "Fogo morto" foi escrita por Graciliano Ramos e na verdade quem escreveu foi José Lins do Rego.
    Na dúvida, preferi comentar essa errata ;)

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