sábado, 6 de março de 2010

Vou tomar a Tabuada! #educação

por Marcelo Moraes

carta_leitor1

Os números, eu não aguento não, a matemática, virou perseguição… Já é demais, tudo o que a gente faz... Ficar por conta dos números...”

 

Eu pensei que fosse facilitar, mas no fim, me faltou dizer o que apenas pensava: “se arrependimento matasse...” Sair no final de semana é tudo de bom. Se você tem um programa a fazer, ótimo, sair de casa um pouco, diminuir o mofo que as enchentes ainda deixaram em nossos tecidos epiteliais, ver as pessoas disputando a mesma vaga no estacionamento do shopping, a criançada berrando “Eu quero!” antes mesmo do carro estacionar, enfim, aquele momento “ser vivo” de sábado à noite. Geralmente vou mais cedo quando marco cinema, assim, há tempo hábil para o jantar sem pressa na praça de alimentação. Bem, até que você decide o quê comer... Até que você decide pagar o que decidiu comer (novamente eu falando em pagamento de conta!)... Fui revitalizar meu estômago com comida japonesa e logo de cara pedi uma barca, pois estávamos em três apreciadores desta maravilha da comida oriental. Optamos por dividir a conta por três, que aí cada um paga da sua forma (cartão, dinheiro, vale-transporte, VR...). O cidadão que nos atendeu fez a conta na calculadora, dividiu por três. Antes que ele tivesse feito a conta, eu já havia feito no meu celular. Aguardava a confirmação da minha conta. Ele fez uma, duas, três vezes... Anotou no papel, olhou de novo o valor, voltou pra calculadora, e nada de falar o valor individual...De repente, ele me vem com esta: “uma conta vai ter que ter um real a mais, tudo bem?” Ninguém se queixou, um real, né? Ok, ele poderia até estar de sacanagem conosco, se não fosse por um mero “detalhe” na conta: deu dízima periódica!!!! O valor seguia de 33333.... O garoto ficou com a pulga atrás da orelha, do nariz, do #rabo, e sei lá onde mais... Nem a ajuda ao outro companheiro que lá trabalhava, resolveu este problema, de fato! Acho que mais um pouco, eles chamariam o Chapolim Colorado!(E agora, quem poderá nos defender???) A única coisa que eu disse foi: “um real?” E continuei a observação. O rapaz tremia, mas tremia...cada vez que tinha que digitar o valor, que ele olhava, olhava, olhava... até que meu olhar de Superman, Heroes ou sei lá quem lhe fez digitar um 4 no lugar do três... E assim, ele prosseguiu com as outras parcelas. Paralisava nas três, mas digitou o bendito quatro numa delas e a conta ficou correta (Não me pergunte de onde ele tirou o R$ 1,00).

“A gente fala por número... A gente é um número?”

Eu sou professor, tenho um juramento para o bem da minha profissão, mas se disser que aquilo fugiu de tudo o que eu poderia imaginar encontrar num pedido de uma refeição, você acreditaria se eu te dissesse que aquilo me paralisou, pela inconformidade daquela cena? Ok, fomos jantar, mas desde aquele momento, o rapaz não retornou mais àquela fisionomia descontraída e tranquila que estava antes e durante o nosso pedido. Deve ter sido mais um daqueles alunos que diz: “Pra que que eu tenho que estudar matemática?” A sua lembrança, provavelmente, o consumira ‘incansavelmente’ naquele momento.

“Quanto se ganha? Quanto se perde? Quanto que custou? Quanto foi que rolou?”

Cinco de março de dois mil e dez. Sexta-feira, no final do expediente, hora de pegar o caminho da “roça”. Próxima parada: ponto de ônibus. Havia chegado mais cedo no ponto, então resolvi facilitar o troco do transporte: adiantei os sessenta centavos dos dois reais e sessenta da passagem, junto com os cinco reais que eu tinha para trocar. Vamos armar e efetuar a conta:

Passagem custa R$ 2,60
Eu tinha R$ 5,00
Para facilitar o troco, adicionei R$ 0,60
Valor total = ?
Troco = ??

Para calcular o valor total:
Eu tinha + o que adicionei
R$ 5,00 + R$ 0,60    = R$ 5,60! (lembrei do Bozo agora, não sei por quê!)

Para calcular o troco:
Valor total - Valor da passagem 
     R$ 5,60 - R$ 2,60 = R$ 3,00

Como disse anteriormente, quis facilitar o troco, pois em transporte coletivo, quanto mais trocado for o valor da passagem, melhor é para o cobrador e para nós, e o R$ 0,60 ajuda muito. Mais uma vez me via na cena do shopping: o cobrador (jovem também) parou por um instante e olhou os cinco reais. Olhou para as moedas que dei a ele... Colocou as moedas no caixa, contando uma a uma e depois só faltou me dizer: “Como assim, Bial?” Ele ficou paralisado também. Não sabia qual o valor daquele troco! Me deu um real, e como viu que eu não me mexi ele voltou a olhar para o caixa e para os cinco reais. G-Zus, apaga a luz que eu quero fugir!!! Tá bom, eu fico, hoje é sexta-feira, né? Tudo bem, deixa pra lá... E esperei mais uns bons segundos até que meus poderes “xinguiling” entraram em cena e o cobrador me salva com mais dois reais de troco. A operação ficou assim:

Valor total do troco= R$ 3,00 *(UFA!)
Valor total daquele micão = NÃO TEM PREÇO!

“1 milhão e 400 mil pessoas se parecem com você! Tem um quê de não sei quê! Tem um CIC, um RG! Sou um só, você é você…”

BILHETE ÚNICO: PRATICIDADE

É claro que, para muita gente, certas coisas passam despercebidas. Eu, graças ao bom Deus e aos meus estudos, treino a minha observação diariamente. Não só nos objetos ao meu redor, mas principalmente nas pessoas: seus gestos, suas falas, suas posturas... E basta o olhar, a respiração ou um movimento com as mãos que fogem do comum, vejo denúncia de perigo! E por duas vezes presenciei este perigo num curto espaço de tempo (dentro de uma semana)! Perigo de não saber usar os números! Perigo, por ver que pessoas que trabalham com números não sabem usá-los ao certo! Pode ter sido coincidência ou algum sinal, talvez, ou que eu tenha vindo até eles com esta missão, pois nas duas vezes, obriguei-os a efetuar contas que não são habituais em seus trabalhos. No primeiro caso, o da dízima, nota-se que, provavelmente, não houve sequer instrução do chefe deste funcionário ao elegê-lo ao cargo, pois se assim tivesse feito, este caso seria discutido e orientado (SUPOSIÇÃO). No segundo caso, ainda há uma explicação pelo “branco” do cobrador: eles estão acostumados a dar troco somente pelos cinco reais (ou dez reais), então, fica um pouco automatizado o retorno do mesmo, além da praticidade dos cartões BOM e BILHETE ÚNICO que utilizamos por aqui no ABC e em SP, em que o cobrador nem tem que tocar no troco. Quando lhe dei um valor semi-trocado (os centavos), o que não é comum de ocorrer, a sensação que tive foi aquela de que temos quando fazemos sempre um mesmo caminho há anos, e de repente, temos que fazê-lo no sentido contrário. Parece que tudo é diferente, e o simples, vira complexo. Só me resta saber se este cobrador foi um daqueles que dizia “Pra quê que vou estudar matemática?” ou daqueles que apontava o dedo do meio para os outros ao invés de ver o valor numérico que aquele dedo representava! Mas o celular dele é lindo, viu??? Melhor que o meu, sabia? “UM-LU-XO!!”

 
aviaozinho

Não hei de estranhar, se um dia estiver num restaurante e o meu pedido não chegar… Poderei ter sido atendido por um…(como chamamos mesmo aquele povo que para de estudar?) DESISTENTE! Isso mesmo, e, quem sabe, por um pseudoanalfabeto também. Isto é EVASÃO escolar. Obrigado, dicionário! Desculpa, Google, mas sem ele nem você seria esta fonte confiável ou desconfiável de se utilizar também… Talvez isso explique, em partes, esta avalanche de blogs copiando conteúdos alheios: Não sabem o significado de Produção de Texto, Originalidade, Trabalho, Pesquisa, Criatividade, Respeito.

copy-pasteIsso mesmo, cidadÕES*, reclamem dos professores, tirem sarro deles, façam caras feias quando eles entram e dizem bom dia; coloquem suas gracinhas no youtube, as fotos emolindas no orkut, falem bastante de BBB, zombem dos colegas que estudam, que fazem suas tarefas, que respeitam os professores, que se preocupam em fazer o melhor, de aprender, de se valorizar. Zombaram de mim, agora disfarço para não zombar de vocês também! Aprendi que quem ri por último, ri melhor. Cuidado, que agora, por onde eu for, vou tomar a tabuada!! Melhor começar a estudar…

 

*O plural de cidadão é cidadãos!
**Fonte das citações: Os Números
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11 comentários:

  1. Marcelo , tenho um palpite que vc deve ser um daqueles professores que os alunos não esquecem. A tirar pelos seus posts, show de bola.

    Abraço

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  2. Marcelo,

    EXCELENTE texto. Você lavou um pouco da minha alma como professor.

    Você falou sobre o despreparo das pessoas ao lidar com números. Falou também da sua capacidade de observação. Essas duas coisas me fizeram lembrar de que existem por aí muitos analfabetos funcionais. Sabem escrever, têm uma letra bem desenhada, leem o letreiro do ônibus, entretanto não conseguem interpretar textos simples.

    Abração, Marcelo, e um ótimo final de semana pra você.

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  3. Em primeiro lugar, peraí...meus neurônios estão surtados...odeio Matemática e apenas a conta feita pelo pobre coitado do garçom já me deixou em desespero. Só que é impossível não concordar com vc, a sala de aula, sempre ela, e os valores morais deste país inverteram tudo...Às vezes, dizia para meus alunos que se fossem médicos me avisassem, não consultaria com eles; se fossem engenheiros, eu verificaria detalhes antes de comprar um apartamento no prédio projetado por eles...e ia enumerando e enumerando. Até que, um dia, uma aluna me perguntou para que estudar literatura se ela seria enfermeira? Eu respondi que já sabia em que hospital não entraria para qualquer procedimento médico, afinal, enfermeiras precisam ler e entender o que está escrito, interpretar a ordem médica...ela ficou furiosa...adivinha qual o curso que ela faz atualmente????Letras e nem me olha qdo passa na rua. abçs e boa semana :)

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  4. Pára o blog que eu quero ler novamente. BOM! Muito bom.
    Passagem a R$2.60? Aonde fica isso? R$0.10 centavos a menos já é muita diferença. Hhehehehe

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  5. Muito bom Marcelo, adoro esses posts sobre suas observações do cotidiano. Parabéns!

    Como você, também fui muito zombado no colégio por causa do gosto pelo estudo. Hoje, 7 anos depois, estou formado em Sistemas de Informação e "corro o risco" de dar aulas para ex-colegas de classe em um curso técnico em informática. Veja só como o mundo gira...

    Abraços,

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  6. Seu amigo ficou incomodado porque a conta foi aproximada para mais e não reduzida. Acho que aí mora o perigo! Atendentes que se fazem de besta para ficar com o dinheiro alheio. Esse lance do troco do ônibus, por exemplo, tinha uma 'mocinha' que dava troco em balinhas! Uma boa forma de ganhar dinheiro alheio. Beijus,

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  7. Olá

    Ah, os números. A gente nasce número, vive número e morre número...rs.
    E muitos nem ligam pra eles, fingem saber mas não os entendem...

    Abraços.

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  8. hahahaha Marcelo vc ta obsecado por numeros. asistiu o numero 23? olha eu confesso... assisti e fiquei fazendo contas depois hahaha
    me interna, ou melhor vamos juntos? hahahahaha

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  9. muito bom.. odeio os números mas amei o texto ! SASUAUHSA

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  10. Olá Marcelo!
    Cá estou, após um longo período de sumiço, mas, continuei sentindo saudade da blogosfera, querendo ler e comentar os posts que tanto me agradam em alguns blogueiros e lógico, você é um deles sem dúvida alguma.
    Meu marido é formado em Matemática, sou em Letras, o clássico "opostos que se atraem"(rs), tentamos trocar figurinhas, nem sempre é fácil, o ponto de interesse é complicado, mas, vale a pena ouvir e aprender um pouco que seja, do que o outro tem a acrescentar. Conforme lia, ria e me aborrecia, pois, é verdade e é triste também, tanta gente desprestigiando uma classe que luta para educar e ensinar. Gosto muito mais das Letras, porém, a tabuada eu sei "fessor"(rs)! Adorei o vídeo, vou mostrar pro "bem"!:D. Não tenho a paciência do meu marido em calcular tudo, em controlar tão bem (digo que ele é meu contador particular...rs), aprendi com ele a comprar à vista e com desconto real, nada de muito carnezinho a prazo cheio de juros embutidos, a comprar a fruta e o legume da época, sem pagar absurdos por algo que pode ser substituído (salvo se for desejo de grávida...rs)e coisas do tipo. Ele odeia quando erram o troco, fica danado da vida! E parece que sempre encontra alguém que o irrita assim! Pelo visto isso tem sido mais regra que exceção, né? E o que esperar dessa geração?
    Por aqui temos sido pais que procuram estimular no filho o interesse natural pelos números e letras sempre, adiante ele decide do que mais gosta. Ótima reflexão sobre as condições atuais de nossos profissionais mundo afora. Ai, ai, ai!
    Bjins e até!

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