quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Michel Teló e o meu papo Pão-de-ló!

por Marcelo Moraes

Eu não perco o meu tempo reclamando do Teló. As pessoas se estressam, elas reclamam de tudo o que gostam e do que não gostam. Muitas vezes só para terem do que reclamar ou para terem a atenção de uma maioria por ser um assunto que alarda os olhos de muitos. Eu não gasto as minhas energias com isso. Reclamar por reclamar? Se temos gostos e opiniões sobre as coisas ao nosso redor, temos também o momento certo ou a dosagem do que e do quanto se falar. E, nestas horas, dou graças a Deus por ter este blog! Mas brasileiro gosta de fazer o circo pegar fogo, é parte da sua cultura. Ops, falei cultura? Palavra perigosa esta! Até dela o povo reclama! Caraca, falei “povo”, estou menosprezando a massa elitizada! É: gente fina que se diz “culta”, não é do povo, nem da comunidade, é do andar superior, da classe “econômica”, que de tão "econômica" não economiza nada, só gasta.... Mas então, ela é de onde, afinal?


Parece que muitas vezes tenho que apresentar a minha nacionalidade aos meus próprios conterrâneos. Dizer que sou brasileiro, que falo a língua portuguesa e que moro neste país que me é de origem. Sinto-me estranho. Não posso mostrar ou manifestar aquilo que o meu país oferece. Não posso ser o brasileiro que o meu país me permite, pois é motivo de vergonha aos irmãos de RG. É feio fazer um café no bule ou cozinhar num fogão a lenha? Camiseta com estampa em português? Afe, que mico! Assistir filmes dublados? Uma ofensa! E comer pastel de pé, na feira, é deselegante também? Zapear pela 25 de Março e Santa Ifigênia: abafa?


BraZil afora ou Brasil pra fora?
A polêmica cria vertentes e o brasileiro que se destaca por lá precisa ser logo exterminado também! E não é pelos habitantes estrangeiros, mas por seus próprios “irmãos” brasileiros. Se não é jogador de futebol, que este o BRAZIL pode ser lido com Zê, que a massa ovaciona, aí o povo torce mesmo o nariz. Vai querer reclamar, vai achar uma agulha no palheiro e vai fazer este virar fogueira! E vira.
O cenário musical cresce em banda larga, assim como a rede mundial de computadores. A disputa entre Qualidade versus Quantidade de artistas e músicas passa a ser uma constante. Em todos os lugares, não só no Brasil. Por que que, de repente, passou a ser comum artistas internacionais virem se apresentar por aqui? Pá, tchê, vamu lá, nada de pesquisas miraculosas de mercado pra ter a resposta! Brasileiro tem o seu jeitinho de descobrir as coisas e achar a solução: porque a gente consome o resto dos outros. Simples assim. E resto, diga-se de passagem, não é lixo, componente podre ou deteriorado, mas aquilo que já foi mostrado, explorado e que ainda precisa ser “usado”. Ainda precisa ser...REutilizado, REaproveitado, REinventado, ou na modéstia esperança: REciclado! O que começa a ficar excessivo precisa ser descartado ou remanejado para algum lugar. E aí vem para cá, e aí vai para lá!

Globalização? Tecnologia? Informação? www.comoassim?
“A pirataria surge e se fortifica, mas nem todo mundo quer admitir que ela é mais uma consequência da tecnologia que o próprio homem expôs ao mundo! Tudo o que hoje falamos que é moderno, nada mais é do que mais um aparelho com diversos recursos para se compartilhar arquivos! Resta-nos, então, a aprender a conviver com isso e estabelecer nossas próprias regras (já que criar obstáculos para isso é chover no molhado, tamanha a proporção que isso tomou). E estas regras até são abordadas por alguns artistas que JÁ SE CONVENCERAM de que a pirataria é um tsunami perto do resultado de vendas de seus trabalhos, e por isso eles dão exemplos de como compartilhar estas músicas, sem "estimular" a pirataria "comercial". (faz-me rir isso). Por outro lado, há os que só tem a agradecer o favor que a disseminação de seus trabalhos pela rede lhes faz, pois acaba sendo uma divulgação sem custos adicionais. Resumindo: tem os dois lados da moeda.”(Leia mais em: De novo! De novo! De novo!)
Este meu pensamento de 2009 se mantém resistente e por ora, com algumas atualizações, pois querendo ou não, nós somos piratas também, praticamos o ato de copiar, baixar, converter e enviar automaticamente, e muitos acabam não notando que a diferença entre você e um camelô está no apenas “faço tudo sem fins lucrativos”. E sabemos que, a cada ano, uma nova ferramenta nos LINKARÁ a mais uma facilidade de adquirir estes bens musicais, vindos sob a forma de som ou vídeo. A tendência acaba por mudar os nossos comportamentos, deixam de ser “modismos” e passam a fazer parte das nossas tarefas rotineiras, e ao entrar num site de um artista ninguém entra em pânico e decide denunciá-lo por disponibilizar o seu material de trabalho no link “Downloads” de sua página oficial. Você espalhou, o mundo espalhou. O seu artista também!



Em destaque: "Baixar música" - Fonte: www.micheltelo.com.br

O conceito de “Música Boa”
Ter referência para algo que se quer opinar é normal. Ok. O problema que vejo – posso me incluir também – é quando passamos a tomar certas referências como o “marco zero” do bom exemplo a ser seguido. Recentemente, indo ao trabalho, por volta das sete horas da manhã, vejo uma criança de 3 anos indo à escola a pé com a sua mãe. Cena tradicional, se não fosse o detalhe de vê-la com um celular ouvindo FUNK com suas melodias(?) muito longe de serem “a la Disney e afins”. Na sua cabeça deve estar passando um “Se essa mãe escuta isso, imagina como será este menino: vai virar bandido! Se ouvisse Caetano, seria um príncipe.” O pensamento é propositalmente colocado para mostrar que o país que vem dizendo que respeita as diferenças, que enche de selos compartilhados pelo facebook, cospe pra cima e estampa o preconceito claramente. Para cada estilo musical que cada um admira, tem um preconceito embutido. Seria como dizer que todo roqueiro é drogado, marginal; que quem ouve axé, funk ou pagode é bandido, prostituta ou uma “raça do inferno”; que quem ouve ópera e clássicas são “enjoadinhos ou metidos”; que quem ouve sertanejo é brega; que quem ouve MPB é “fala sério, ninguém merece”. É, o país que é rico na diversidade de etnias e culturas, o mais “diferente” de todos, é o mais preconceituoso também. E demora para perceber isso, ou se faz de cego. E o esforço em mudar isso? Caminha em passos lentos, infelizmente. Quanto mais rotulamos os outros, mais seremos rotulados, é a lei da “Ação e Reação”. Falta adquirirmos a prática do bom senso. Ninguém foi lá acompanhar o dia a dia daquela mãe “funkeira” com o seu pimpolho de 3 anos para ver se ela o maltrada ou lhe dá carinhho, conforto, lhe conta histórias e canta músicas infantis. Julgar só o que vê não é o mesmo que julgar o que é. Discordo totalmente das pessoas que só classificam “Gil, Caetano, Gal e Cia” como música boa, como exemplo de música a ser ouvida e ensinada aos filhos. Cada um descobre as afinidades com aquilo que o identifica e não o que “aos olhos dos outros” é visto como APENAS O CERTO. Não, e não é só MPB que é música boa, em todos os estilos temos música boa, pois como somos brasileiros, temos compositores, músicos e artistas explorando o seu talento e a sua afinidade no estilo que lhe identifica como tal. E não podemos classificar um artista como bom ou ruim apenas por uma canção comercial que caiu na boca do povo. Em todos os estilos também tem música ruim. Inclusive na MPB! Mas qual o conceito de bom ou ruim? Tecnicamente poderia haver uma lista de pontos, mas emocionalmente, seria aquela que lhe traz algo a somar em sua vida, que acrescenta, que completa. Música ruim não tem este papel, não traz afinidade, assim como o preconceito. Não ouço Caetano, Bethânia, Gal, Chico...não é porque não gosto ou porque a música é boa ou ruim (tecnicamente falando), mas é porque não tenho afinidade com as suas vozes e canções. Sou um desclassificado por não ouvi-los?


"Tico mia na casa, Tico mia na cama..."
Mamonas Assassinas: Polêmicos e "inesquecíveis".
Polêmicas na mídia sempre tivemos. Pelo menos nestes últimos trinta anos que estou nesta vida, sempre vi que temos um assunto que vai ser o boom do dia, da semana, do mês, semestre ou ano. Portanto, achar que mais um vai chocar, só se for uma tragédia mesmo, pois no universo musical, nem um pouco. Tudo fica previsível, pois as pessoas, em sua maioria, atacam o alvo sem prévios conhecimentos, apenas o que o superficial é estampado, e manda ver nas pauladas escritas ou faladas para todo mundo ao seu redor. E de boca cheia! Uns tentam mostrar que a imagem da nossa cultura está manchada para o mundo, que a educação nunca vai dar certo desta forma, e blablabla... Os Mamonas Assassinas, figuras polêmicas e "inesquecíveis" em nosso país já morreram, e o que mudou sem eles? No ano passado, um aluno de 1º Ano do Fundamental quis me mostrar uma música, que todo alegre cantou: “Sabão cra-crá, sabão crá-crá não deixa os cabelos do saco enrolá...” E no último verso, a risada categórica! Eu lhe disse, então: “E onde você encontrou esta música?" "Ah, tio, eu achei na internet, mó legal, né?” Lhe disse em seguida que aquela música era de um grupo que já havia morrido e fiz um breve histórico da banda. O menino fez uma cara de surpresa (pois viu que não me havia feito nenhuma), e concluiu com um “que legal”, e com plena noção do que aquela música significava, pois em tempos de chapinha, todo mundo passou a entender o conceito de cabelo enrolado, “néam”? “E onde tem este sabão pra comprar?, perguntei. Deve ser muito bom mesmo!” “Ah, tio, não sei, é só uma música...”
Canções regravadas por Paula Toller e Adriana Calcanhoto
Acredito que não é o artista ou a sua música por si, que contribua para o melhor ou pior em nossa cultura, mas o significado que damos a eles, pois em cada momento de nossas vidas somos surpreendidos por situações como esta que cuja solução, em grande parte, está em nossas mãos. E quando abrimos a “maleta dos problemas”, sempre haverá uma ferramenta para resolvê-los. E a música acaba sendo uma delas, apenas. Talvez a tarefa mais difícil para todos seja a de respeitar essa ferramenta das diferenças, mas em seu sentido completo. Não se prender ao que o seu grupo rotula, mas ao que o seu olhar frente ao que você vive ou deseja para si seja visto com respeito, pois todos nós, de alguma forma, queremos que o nosso trabalho progrida, que faça sucesso ou seja reconhecido. Ninguém trabalha para ser um “nada”, eu trabalho para ter o meu espaço, para fazer a diferença. Assim, o que o faz diferente frente aos outros, fará a diferença para ser você. Mas um Você melhor. Portanto, se você me oferecer um cookie, eu lhe ofertarei um pão-de-ló, pois no meu país de brasileiros, tem salgado pão de queijo e música de Michel Teló.


Como falei de início, eu não gasto o meu tempo falando do Teló, pois se eu assim fizesse já estaria atrasado, pois o assunto da moda neste país é a insinuação de estupro” no BBB12


“Delícia! Delícia! Assim você me mata...Ai, se eu te pego Ai, ai, se eu te pego...
Imagem que está circulando pelo facebook
E aí, choquei você????

5 comentários:

  1. Chocou coisa nenhuma que a tia aqui já viu muita coisa :-). Conceito de música boa ou ruim não existe. E cada um ouve o que quer o que gosta, até a Luiza que está no Canadá e é claro que eu não perderia essa oportunidade de mencionar a moça neste comentário :-) Só não consegui concordar com a Época dizendo que ele sintetiza os valores da cultura nacional pq aí viajaram, frase pronta de jornalista meia boca .

    Beijos

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    Respostas
    1. Pois é, Vanessa, a Luíza dominou o espaço numa velocidade maior que o Teló e os BBBs levaram para chamarem a atenção rsss
      Há muito exagero por parte destes jornalistas em evidência. Mas é a "fofoca jornalística" que vende, né? Assim como as "Caras" da vida, que é para o público dos flashes e vida "feliz". Estou aprendendo a olhar certos estilos musicais ou artistas com outros olhos, e não só o do julgamento por si, que não nos ajuda em nada, além da nossa "ira" de momento. Beijo.

      Bj

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  2. Olá Marcelo,
    Já disse o quanto gosto desse tipo de reflexão que você faz? Muito bom. Adorei! Gosto não se discute mesmo e o pior são aquelas pessoas que criticam sem menos conhecer. Eu, sinceramente não gosto da saga Crepúsculo, mas assisti todos os filmes lançados até hoje. Provavelmente alguém aqui vai torcer o nariz, mas eu faço questão sim de assistir para ter minha opinião que com certeza é bem diferente de uma legião de adolescentes, pois se assim não fosse, a franquia não estaria fazendo tanto sucesso.

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  3. Meu amigo, adorei teu blog! Vou ficar por aqui!Já a versão da "bendita" música, dançada pelo Donald e a Margarida? Ficou uma graça! Estou seguindo teu mosaico de seguidores e agradeço se me seguires de volta em meu mosaico! Seja bem vinda ao meu espaço, nosso espaço! Abraço fraterno e carinhoso!
    Elaine Averbuch Neves
    http://elaine-dedentroprafora.blogspot.com/

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  4. É que o lance é o lance...

    Penso que há quem goste da letra, outros da melodia, outros nem pensam no que gostam mas sentem boas vibrações ou sensações... sei lá. Música é isso mesmo.

    Gosto do seu estilo de postagens.

    Bj e boa semana!

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